Revirando minhas coisas para estudar, percebi quanta coisa consegui juntar em anos. Interessante é que eu lendo a matéria, que há tempos eu anotei, encontrei vários fragmentos de idéias, sentimentos.
Aparentemente entre as aulas, não sei se antes ou depois, eu já sentia a necessidade urgente de imortalizar uma emoção.
Outro dia, após um desafio dado pelo professor que consiste em solidificar sentimentos, tristes ou alegres, não importando o tema, confesso, que vindo para casa, eu não conseguia parar de pensar nisso.
Aulas antes o professor tinha dado o conceito de domicílio segundo o direito civil, e esse conceito, não sei porque cargas d’águas, estava me corroendo.
Já deitada não me contive, me levantei, peguei um bloco e esbocei um primeiro texto.
Decidi escrever sobre isso, pelo menos é uma forma de gravar o conceito, ainda não tem título, se alguém quiser me ajudar...
Quando ela era mais jovem, um pouco por rebeldia, queria independência,
queria liberdade, querendo posição, por vaidade resolveu de casa sair.
Que sonhos grandes alcançou;
que bela casa adquiriu.
Fruto de muito trabalho, privações;
é bom que se diga, o preço foi alto.
Amigos, colegas muitos, festas diversas;
solidão infinita.
E estranhou quando se pegou dizendo:
- Que saudade daquela senhora,
senhora que há trinta anos, na foto se parecia.
Até dos pequenos, que tanto trabalho lhe deu
falta sentia.
Não podia voltar, tinha compromissos, tinha deveres, obrigações;
Na verdade, tinha medo:
Medo da verdade que certamente ouviria:
- O lar tem base; casa, piso.
- O lar tem proteção; a casa, parede.
- Lar se constrói com amor; casa, com alvenaria.
Rezou á noite, pedindo perdão á Deus,
por sua ambição, seus devaneios, não deu á família seu valor.
Em visita postergada por várias vezes,
finalmente pediu e assim recebeu o perdão
daquela que no retrato de mais de trinta anos
com ela parecia.
A senhora ainda acreditava,
a queria por perto, e por isso, a esperava.
Ainda a esperava com uma caneca de café com leite quente:
A senhora já a perdoara a muito tempo.
Não era possível, não conseguia, não podia entender,
não era possível cometer tão grave erro e simplesmente receber.
Pois a casa que cegou seus olhos, com o eco a recebia;
e o lar que abandonou, desprezou; por muito tempo ainda punha uma caneca a mais na mesa.
Finalmente entendeu porque tinha deixado de ser feliz.
Arrependida, Deus permitiu que fizesse parte de um lar novamente,
começou a sentir o cheiro de bolo de fubá,
de café que acabou de passar.
Que pena sentiu daqueles que não podem sentir saudade do gosto doce do café passado com amor de mãe.
E através desse amor, o perdão a libertou.
Aquela caneca de café com leite, continua a esperando todas as manhãs,
toma seu café e sai, mas antes, escuta o som das vozes,
brinca com os latidos, e dá Graças por ter um lar para voltar a noite.
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A sensibilidade da menina só reafirmou o que eu sempre senti por ela: Muito amor.
ResponderExcluirBjs Ione.